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03 Jan 2010 

NEVE



Estou a ler (como dizem os portugueses) Neve, edição da Companhia das Letras, tradução de Luciano Machado da versão inglêsa Snow do romance Kar  do romancista turco Orhan Pamuk, ganhador do prêmio Nobel de Literatura de 2006.


Estou ainda no capítulo 6 e já percebo que esta é uma obra interessante, não porque tenha seu autor ganhado o prêmio da Academia Sueca, mas porque sendo uma obra de um escritor não totalmente ocidental, uma vez que a Turquia se encontra, geográfica e ideológicamente, entre os dois mundos, narra de maneira agradável , sem recorrer ao folclore, a vida naquele país atormentado, justamente por se encontrar entre o Ocidente e o Oriente.


Não tenho às mãos a versão inglesa e muito menos a obra original,  mas sei antemão que esta obra não chegou inteira até nós. Para começar é dificil conceber que alguém possa traduzir integralmente o espírito de uma obra qualquer, o que seria uma exigência absurda e mais dificil ainda se esta obra já não é traduzida de seu original, que seria o ideal.O que não se pode admitir é que uma tradução traga os vícios e modismos do momento, porque a tradução deve ser uma recriação  aproximando-se o máximo de seu texto original. Não é o que sentimos na tradução presente. O tradutor, traído pelo modismo, traz um gerundismo, que por certo não existe na lingua original e muito menos na lingua portuguêsa, que enfeia a obra e modifica o sentido original. Após o assassinato do professor Nuri Yilmaz, Ípek e Ka saíram do local do crime, e ao se encontrar só, Ka começa a refletir sobre aquela cena e porque não fizera nada para impedir, nem mesmo ligara para ninguém para relatar o acontecimento. Nosso tradutor escreve saxonicamente: atormentado pelo remorso e pelo sentimento de culpa disse a si mesmo que deveria estar ligando para algumas das pessoas a quem fora apresentado esta manhã. Por quê, deveria estar ligando? Por quê não, deveria ligar? Por quê este gerundismo absurdo?


Não sou um purista, o que seria impossível no mundo atual, quando recebemos todas as informações do mundo eàs vezes, no exato momento em o fato está acontecendo, tornando-se impossível a tradução imediata.  O que se combate e deve ser combatido, é o uso indiscriminado de estrangeirismos, quando temos na nossa língua uma maneira de dizer a coisa.


O pior é que esta mania de anglicizar ou americanizar as palavras chegou até à própria prosódia e fonética. Assim se diz Bálcãs e até Bálcan para se referir aos Balcãs, à penisula dos Balcãs. Balcãs sempre foi e será oxitona em português. Dizem Kósovo, quando o certo é Cosovo, paroxítona. Aliás, acho que nem sabem mais o que seja proparoxitona, paroxitona ou oxitona. A ignorância é total. Vive-se uma cultura de buteco, emprenhada pela mediocridade da televisão e dos jornais que se conformam em reproduzir pura e simplesmente o que lhes passam as agências de notícias e os programas televisivos feitos lá fora. É uma lástima.          




        
10 Déc 2009 

ASSALTO A MÃO ARMADA


 

No dia 21.11.2009, fui assaltado em Simões Filho-Ba.,  No assalto, à mão armada, levaram o carro Ford Ka, placa JPX-1916,(Salvador) RENAVAM-917761529, ano 2007/2007, Gasolina, CHASSI – 9BFBLZGDA7B620839 – Cor cinza,   dois celulares, documentos que se encontravam na mala do carro, pasta com todos os documentos. Estou bem. Não me fizeram nada, apenas levaram tudo. Eram dois jovens. A rua estava movimentada e eu pedia  informações a alguém.

 

Quem é o culpado de tantos roubos, tantos furtos, tantos assaltos? Você dirá: o governo que não dá segurança, ou  que não dá trabalho, ou  que não dá educação, que não dá laser.


Eu digo todos nós somos culpados. Ou você nunca comprou uma peça usada? Se não houvesse quem comprasse o fruto do furto, do roubo ou do assalto, garanto que no existiria ladrão, ou no mínimo seria muito menos, porque se não houvesse comprador para o produto do crime, ninguém iria roubar para ficar com o objeto na mão. Logo, quem compra objetos roubados ou furtados está contribuindo para o aumento da criminalidade. Não me venham com desculpas. Todos nós somos responsáveis, ou então não nos lamentemos.

 

08 Déc 2009 

Dominguinhos e Yamandu

O rei da Sanfona Dominguinhos e o grande mestre do violão Yamandu Costa.

04 Déc 2009 

Quinta Sinfonia de Beethoven

 

Tenho ouvido muito Beethoven ultimamente, com as facilidades que nos traz a Internet. E entre todos os maestros que tenho ouvido, me parece que ninguém se iguala a Arturo Toscanini. Sua interpretação do 1º Movimento da Quinta Sinfonia é inigualável. Ninguem se aproxima dele na transmissão da energia que imaginamos tenha querido transmitir o grande Beethoven nesta peça. Os demais intérpretes, perto de Toscanini soam lassos e um tanto quanto tímidos. Na batuta de Toscanini o primeiro movimento parece o despertar de um grande vulcão, o despertar de um dragão, o despertar de um novo mundo. Não me canso de ouví-lo e me reanimar para enfrentar a dureza da realidade com esperanças de vencer toda e qualquer adversidade.


21 Jul 2009 

VILLA-LOBOS – ESTUDO Nº 11


           O Estudo 11 de Villa-Lobos é, entre todos, o mais bonito, o mais representativo da alma brasileira. É um lamento, uma litania. Quem conhece o Nordeste ouve estes lamentos em cada toada, principalmente nas chamadas Incelências, incelenças ou ainda excelências. São toadas cantadas na cebeceira ou pé dos moribundos ou  mortos. É tão cortante o canto, que muita gente não resiste e cai aos prantos. Estou convicto de que o grande Villa-Lobos se inspirou nelas para fazer seu estudo nº11, que me parece, não o mais difícil de tocar, que não exige grande virtuosismo, mas,  o mais difícil de se interpretar. Entre os diversos violonistas que tenho ouvido, muito poucos conseguem atingir a alma deste singular estudo. Turibio Santos, por ser brasileiro, talvez seja um dos poucos que conseguiram uma boa interpretação. Entre os estrangeiros Ana Vidovic me pareceu aliar à  virtuosidade um certo que de interpretatividade, que de certa forma se aproxima de de nossa alma. Não quero esquecer grandes guitarristas e por isso voltarei ao assunto em breve.

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