NEVE
Estou a ler (como dizem os portugueses) Neve, edição da Companhia das Letras, tradução de Luciano Machado da versão inglêsa Snow do romance Kar do romancista turco Orhan Pamuk, ganhador do prêmio Nobel de Literatura de 2006.
Estou ainda no capítulo 6 e já percebo que esta é uma obra interessante, não porque tenha seu autor ganhado o prêmio da Academia Sueca, mas porque sendo uma obra de um escritor não totalmente ocidental, uma vez que a Turquia se encontra, geográfica e ideológicamente, entre os dois mundos, narra de maneira agradável , sem recorrer ao folclore, a vida naquele país atormentado, justamente por se encontrar entre o Ocidente e o Oriente.
Não tenho às mãos a versão inglesa e muito menos a obra original, mas sei antemão que esta obra não chegou inteira até nós. Para começar é dificil conceber que alguém possa traduzir integralmente o espírito de uma obra qualquer, o que seria uma exigência absurda e mais dificil ainda se esta obra já não é traduzida de seu original, que seria o ideal.O que não se pode admitir é que uma tradução traga os vícios e modismos do momento, porque a tradução deve ser uma recriação aproximando-se o máximo de seu texto original. Não é o que sentimos na tradução presente. O tradutor, traído pelo modismo, traz um gerundismo, que por certo não existe na lingua original e muito menos na lingua portuguêsa, que enfeia a obra e modifica o sentido original. Após o assassinato do professor Nuri Yilmaz, Ípek e Ka saíram do local do crime, e ao se encontrar só, Ka começa a refletir sobre aquela cena e porque não fizera nada para impedir, nem mesmo ligara para ninguém para relatar o acontecimento. Nosso tradutor escreve saxonicamente: atormentado pelo remorso e pelo sentimento de culpa disse a si mesmo que deveria estar ligando para algumas das pessoas a quem fora apresentado esta manhã. Por quê, deveria estar ligando? Por quê não, deveria ligar? Por quê este gerundismo absurdo?
Não sou um purista, o que seria impossível no mundo atual, quando recebemos todas as informações do mundo eàs vezes, no exato momento em o fato está acontecendo, tornando-se impossível a tradução imediata. O que se combate e deve ser combatido, é o uso indiscriminado de estrangeirismos, quando temos na nossa língua uma maneira de dizer a coisa.
O pior é que esta mania de anglicizar ou americanizar as palavras chegou até à própria prosódia e fonética. Assim se diz Bálcãs e até Bálcan para se referir aos Balcãs, à penisula dos Balcãs. Balcãs sempre foi e será oxitona em português. Dizem Kósovo, quando o certo é Cosovo, paroxítona. Aliás, acho que nem sabem mais o que seja proparoxitona, paroxitona ou oxitona. A ignorância é total. Vive-se uma cultura de buteco, emprenhada pela mediocridade da televisão e dos jornais que se conformam em reproduzir pura e simplesmente o que lhes passam as agências de notícias e os programas televisivos feitos lá fora. É uma lástima.
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18/07/2009 @ 21:17:44
par Carlos Rodrigues
Não esperava ler um trabalho tão ...
30/06/2009 @ 18:47:24
par Lekka
muito bom,mesmo. Trés joli. Zuri. Wonderful. ...
22/06/2009 @ 23:30:10
par Tony
Pour bien débuter votre blog:
12/03/2009 @ 17:43:27
par El Carmo